Na minha família, as mulheres gostam de pérolas. Usam-nas com frequência. Transformaram-se, as pérolas, numa marca de pertença de grupo. Oferecem-lhas quando nascem ou quando se torna inevitável a aprovação de um elemento feminino exterior à tribo claramente matriarcal. Usam-nas como elemento identificativo que lhes permite vaguear de forma mais liberta pelos corredores apertados e sempre vigiados, construídos pelos mais elevados e cerrados interesses do conjunto. Há sempre pérolas nas mulheres da minha família. Herdadas ou seleccionadas meticulosamente pelas minhas avós que se tornaram hábeis e doutas nesta escolha, porque aprenderam com gerações antigas. São fáceis de encontrar por todo o lado, presas aos corpos das mulheres, como inevitável marca a ferro e fogo.
Aos rapazes, aos mais jovens, que os velhos homens da família não precisam, decidiram também oferecer pérolas. São botões de punho.
Há que algemar também os transgressores.
