A Gaffe decidiu dar um fugida à FNAC para desatar a procurar o livro que o mano lhe tida dito que gostaria de ler. Encontrou um único exemplar ao mesmo tempo que descobriu que as fugas precipitadas dos locais onde se tem de permanecer obrigatoriamente deixam algumas mazelas na tranquilidade e fazem com que nos esqueçamos sempre de qualquer coisa essencial ao cumprimento do objectivo da transgressão.
A Gaffe não tinha levado a carteira.
Decidiu esconder Prosa Completa de Woody Allen na
estante dedicada à Literatura Francesa, mesmo atrás dos cinco volumes da obra
completa de Balzac. Um esconderijo impenetrável, como é bom de ver.
Admite que não foi educada e não mostrou uma pontinha de
respeito pelos outros, coisas que deviam estar ao rubro nesta época, mas depois
de ter visto uma senhora pronta a cravar as velinhas de Natal decoradas com
azevinho e anjinhos ternurentos nas costas dos que faziam fila na caixa da Zara
Home, relativiza imenso estas incandescências.
Com o crime cometido, a Gaffe saiu discretamente da loja e
já pronta a acalmar o rubor da culpa que sentia, encontrou nos corredores um
pequeno estaminé onde um senhor muito simpático prometia reproduções nossas em
3D. Existia num espaço onde um scanner nos lia e enviava a
informação para uma aplicação informática. Uma semana depois tínhamos um boneco
igualzinho a nós em três tamanhos à escolha.
Três orgasmos de diferentes dimensões para os narcisistas.
A Gaffe ficou a pensar se não seria mais simples encomendar
a este senhor simpático uma miniatura de Cristiano Ronaldo. Se fossem
reproduzidos milhares de exemplares, todos assinados pelo herói e
comercializados pelas manas, os fãs teriam a possibilidade de o comprar e de
sentir o orgulho de ter Ronaldo na mesinha de cabeceira com a velinha da
senhora da Zara Home a iluminar o altar.
Sempre eram mais uns trocos.
A Gaffe considera que as poses dos heróis facilitam o trabalho
do escultor.
Pensa mesmo que os artistas devem captar as atitudes de Ronaldo antes do livre, mas convém ter também em atenção o dever de apanhar a atitude do jogador perante Georgina, tendo em conta o que se esculpiu, na Madeira, no meio
campo - a Gaffe sempre receou que a ilha se inclinasse com o peso no meio do rapaz e
a parte que o sustenta mergulhasse, ainda mais do que o habitual, no oceano das
tontices, fazendo com que o outro lado da ilha se erguesse e catapultasse
o offshore madeirense, atingindo o ponto cego da visão dos senhores que
naufragaram nos ajustes directos.
