13.12.25

A Gaffe em rodopio


Fazes da minha água o amanhecer.
Agora consigo vislumbrar a tua pele.
Agora entendo a migração das águas.
Tenho o teu corpo azul e prateado, a transformar-me em onda nesta manhã de areias esmagadas.
Estás adormecido e o espanto de tu estares assim, nu e quieto, prolonga a luz nas sombras e acidula os objectos.
Não sei mesmo se sonho ou se acordada te vejo a dormir.
Os lugares onde me perco estão toldados e misturo as vozes de tempos diferentes. A minha realidade é um mar aberto. Separadas as metades, deixo de saber em que lugar fico.
Não sei se em ti me afogo ou se deixei de ter lugar em mim.