15.7.26

A Gaffe inútil


A Gaffe leu há dias o texto de um senhor muito indignado que se amotinava contra o culto da futilidade e da desumanidade mais fria em detrimento da solidariedade global e da revolta contra os dramas tenebrosos que assolam o planeta.

Escrevia o senhor que nos movemos todos com o combustível do irrisório, do banal, do superficial, do fútil e do mais leviano, preocupando-nos apenas com o passageiro, com a ementa que nos torna fit e se temos reserva feita nas instâncias de luxo onde vamos passar férias. Os espoliados, os pobres, os restolhos do planeta, a miséria, a fome, o descalabro e a desolação, estão afastados dos nossos olhos e expulsos do nosso coração.

O descrédito na humanidade era tamanho que chegaram duas breves lágrimas aos olhos da Gaffe, apenas recuperadas porque esta rapariga percebeu que quando o senhor alapa o rabo no banquinho e tecla esta denúncia, se salvam os povos da Nigéria, o carrapiço da Nova Zelândia em vias de extinção e a fome no planeta recua atemorizada.

Abençoados os posts deste senhor que deixam a Gaffe esmagada com a vergonha do que vai escrever em seguida, pois que será inevitavelmente fútil.