27.1.26

A Gaffe com o pai


Há um banco de madeira pintado de vermelho na Praça no centro da Avenida e um homem desprovido de ruas sentado a ver o mar. As gotas de ausência nos rebuços do casaco e um alfinete redondo de madrepérola preso na lapela.

O homem tem barba grisalha e nos olhos a lonjura que vem de vela panda encher de névoa a Praça nua.Vou de encontro ao homem que se levanta e, já de pé, ocupa o espaço inteiro.

Nada é mais do que um homem numa Praça, erguido a prumo, com névoa no olhar.

Abraça-me e no abraço as ruas apagam-se.

Deslumbrante é a capacidade que a alma tem de escapar pelos olhos e abruptamente ocupar uma Avenida que de súbito se transforma num monograma de um alfinete minúsculo na lapela.