28.1.26

A Gaffe KO


Não há rapazes maus. – Dizia a avó que o ouviu de outro santo e a Gaffe, humildemente, subscreve.

Há, no entanto, aqueles que transformam o nosso tempo em tempestade. Aqueles que, por muito pouco encorpados que sejam, nos deixam KO quando aproximam o escanzelado negro das nossas mais coloridas divagações.

Arrasam-nos com um allure quase negligente, desatento, descuidado e aparentemente isento de qualquer réstia de obediência a tendências estabelecidas como oficiais pelos mais soberanos criadores dos mais variados apetites de consumo.

O jogo inteligente e discreto entre uma banalidade quotidiana, que passa despercebida a olhares desarmados, e a subtil manipulação do ton-sur-ton das almas repletas de diversas texturas ou de peças policromáticas, produz um travo que, embora passível de ser engolida pelas ruas, nos deixa sempre um sabor simultaneamente amargo e doce no palato de quem já turva o olhar de tanto imaginar uma luta de cetim no ringue dos lençóis.