Não há rapazes maus. – Dizia a avó que o ouviu de outro santo e a Gaffe, humildemente, subscreve.
Há, no entanto, aqueles que transformam o nosso tempo em
tempestade. Aqueles que, por muito pouco encorpados que sejam, nos deixam KO
quando aproximam o escanzelado negro das nossas mais coloridas divagações.
Arrasam-nos com um allure quase negligente, desatento,
descuidado e aparentemente isento de qualquer réstia de obediência a tendências
estabelecidas como oficiais pelos mais soberanos criadores dos mais variados
apetites de consumo.
O jogo inteligente e discreto entre uma banalidade
quotidiana, que passa despercebida a olhares desarmados, e a subtil manipulação
do ton-sur-ton das almas repletas de diversas texturas ou de peças
policromáticas, produz um travo que, embora passível de ser engolida pelas
ruas, nos deixa sempre um sabor simultaneamente amargo e doce no palato de quem
já turva o olhar de tanto imaginar uma luta de cetim no ringue dos
lençóis.
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