2.2.26

A Gaffe saponificada


A Gaffe aposta que a maioria reconhece que nem sempre um sapo traz um príncipe dentro. Às vezes vem com o Robin Hood, outras com o Xerife de Nottingham ou mesmo com Frei Tuck e, não raro, traz apenas o que naturalmente um sapo tem nas entranhas.

Por muito que esbracejemos e que nos sintamos empurradas para os Harrods depois de termos passado a vidinha enfiadinhas na Zara, temos pelo menos que concordar que o blogs do SAPO pretendia apresentar-se mais cuidado, mais pessoal, mais interactivo e mais português, encharcando dessa forma as outras plataformas sem bonequinhos amorosos que os petizes podiam levar para o infantário.

Meus queridos e minhas donzelas, o que será que não entendem na palavra marca?

A construção do rectângulo de ouro da população dos blogs do Sapo era, como toda a gente sabia, a forma mais marota, mais flower power, que se tinha encontrado para nos cativar.

O uso do figuras caseirinho e simples ajuda o reconhecimento imediato, torna visível o sítio, mesmo em escala minúscula.

A plataforma SAPO, muito amorosa, deixou que se pensasse que era a nossa casinha, coadjuvada pela equipa mais doce, eficaz, atenta, disponível e paciente que existia à superfície da net, que reunia rapazes que se iam transformando no ideal informático - e giro - de qualquer rapariga esperta. Mas nunca deixou de ser uma pragmática ferramenta capaz de inquirir o seu utilizador de modo a entender e se possível satisfazer os seus desejos expandindo em consequência o seu raio de acção e a capacidade de se afirmar como parceiro incontornável nos tabuleiros dos negócios.  

É lógico que se perde, com alguma pena, algumas manigâncias que se usavam para serigaitar por ali, mas ganham-se outras e francamente não penso que seja difícil movermo-nos nos alternativos cantos do mundo digital.

É lógico que não é agradável perceber à queima-roupa que nunca fomos mais que estatísticas e dados negociáveis, enquanto altos, números que rendiam ou gente dentro dos ficheiros empresariais. Acreditávamos que o lucro não iria surgir com esta dimensão no trabalho de uma equipa de profissionais tão amorosos, acabando a arrasar o recanto dos sapinhos.

É lógico que por muito que as meninas rabujem e os meninos estrebuchem, o blogs do SAPO vai saponificar. O origami que o construiu era dinâmico e facilitava a possibilidade de cada um o ler à sua maneira, mas, como se sublinha, há coisas mais importantes que o dinheiro, mas são demasiado caras para durar.