9.7.26

A Gaffe de proximidade

Há homens - raros - que nunca entenderemos de forma límpida. Perdemos sempre a claridade que existe no que dizem e no que sonham. A proximidade faz-nos falta. Temos a certeza que os compreenderíamos se os olhássemos nos olhos com mais frequência.  

Creio que para vivermos o que quer que seja temos de passar por quatro etapas. 

1. - Saber que existe aquilo ou aqueles que desejamos viver;

2 - Conhecer - ou até vislumbrar apenas - os desejados;

3. - Tocar-lhes, falar-lhes, senti-los, ouvi-los;

4. - Ser e de uma maneira ou de outra transformarmo-nos naquilo ou naqueles que queremos nossos.

Sem uma destas fases, o outro é imperfeito.  


Mas há homens que basta saber que existem e há um Universo inteiro que se abre.  
Sabe-los é sentir que vale a pena tudo, mesmo o mais sonhado, o mais idiota, o impossível. Ninguém é indiferente a uma montanha pousada subitamente no espaço e, no entanto, aproximarmo-nos do cume de dentro do seus peitos é tão difícil! 

Há gigantes parecidos com a lua. Apagam-se as estrelas perto deles.

A proximidade faz-nos falta. Somos melhor do que nós quando os temos perto.