Há homens - raros - que nunca entenderemos de forma límpida. Perdemos sempre a claridade que existe no que dizem e no que sonham. A proximidade faz-nos falta. Temos a certeza que os compreenderíamos se os olhássemos nos olhos com mais frequência.
Creio que para vivermos o que quer que seja temos de passar por quatro
etapas.
1. - Saber que existe aquilo ou aqueles que desejamos viver;
2 - Conhecer - ou até vislumbrar apenas - os desejados;
3. - Tocar-lhes, falar-lhes, senti-los, ouvi-los;
4. - Ser e de uma maneira ou de outra transformarmo-nos
naquilo ou naqueles que queremos nossos.
Sem uma destas fases, o outro é imperfeito.
Mas há homens que basta saber que existem e há um Universo inteiro que se
abre.
Sabe-los é sentir que vale a pena tudo, mesmo o mais sonhado, o mais idiota, o
impossível. Ninguém é indiferente a uma montanha pousada subitamente no espaço
e, no entanto, aproximarmo-nos do cume de dentro do seus peitos é tão
difícil!
Há gigantes parecidos com a lua. Apagam-se as estrelas perto
deles.
A proximidade faz-nos falta. Somos melhor do que nós quando
os temos perto.
