12.8.26

A Gaffe calada


Que o mar acabe na minha cabeça, que o silêncio de uma casa interrompa e cresça lento, que os mosquitos adormeçam esfomeados nesse tecto, que esta luta, este grito esquartejado em que as palavras batem nas mãos enlouquecidas, se tornem apenas a tontura de envelhecer sem perda, sem gravidade a corromper as mãos da memória dos afectos, sem me deixar enjaulada como uma víscera.

Não digas nada. Nem mesmo a verdade. Há tanta suavidade em nada se dizer.
Não digas nada. Deixa esquecer.