Quando o Verão se debruça no teu corpo azul de lua e o mistério da consciência é saciado, alfabetizado em lábios de vinho sobre os lençóis rebentados pela tua anca despida, a razão não tem linguagem.
A nossa insónia salivada. A mão na têmpora, a interromper as
interrogações do amor. A traição da nossa entrega. A minha respiração aberta,
afiada como um cardo, vocal como o mar revolto, prevendo o esgotamento, o vazio
a morder as entranhas, arrumando-me para a pontinha da cama, evitando o teu
joelho na minha coxa, o teu cabelo na minha cara. Estou nua. Sem armadura. No
meu copo despido de pó sustenido há borboletas sonolentas de cordas e pautas de
um adágio animal inquieto, quase a morder.
É aqui que a Distância tem início. É aqui que os objectos se
desatam de olhos despenhados revelando a realidade que resiste em nós.
Quem me dera não pensar.
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