6.8.26

A Gaffe despida


Quando o Verão se debruça no teu corpo azul de lua e o mistério da consciência é saciado, alfabetizado em lábios de vinho sobre os lençóis rebentados pela tua anca despida, a razão não tem linguagem.

A nossa insónia salivada. A mão na têmpora, a interromper as interrogações do amor. A traição da nossa entrega. A minha respiração aberta, afiada como um cardo, vocal como o mar revolto, prevendo o esgotamento, o vazio a morder as entranhas, arrumando-me para a pontinha da cama, evitando o teu joelho na minha coxa, o teu cabelo na minha cara. Estou nua. Sem armadura. No meu copo despido de pó sustenido há borboletas sonolentas de cordas e pautas de um adágio animal inquieto, quase a morder.

É aqui que a Distância tem início. É aqui que os objectos se desatam de olhos despenhados revelando a realidade que resiste em nós.

Quem me dera não pensar.