Alex Minsky, 24 anos, fotografado por
Michael Stokes |
Continua tenebroso para mim o escuro da frase que declara assassino o homem que mata um outro, mas que transforma em herói o que no centro da guerra e em nome de uma pátria aniquila milhares.
As malhas que os Impérios tecem não me são inteligíveis.
Creio, que heróis ou assassinos, todos se tornam amputados. Decepados no instante em que fazem parar o bater de um coração. O premir do gatilho é a perda irremediável de um pedaço de nós.
A proximidade entre, por exemplo, Oscar Pistorius, acusado de assassinar Reeva SteenKamp e Alex Minsky, veterano da guerra no Afeganistão, cujo número de mortes que eventualmente provocou não é contabilizado, está na trágica amputação interior de que foram vítimas ao matar e não na superação da catástrofe física que os atinge. Deceparam a alma.
Os dois absorveram a calamitosa beleza do que é trágico, superaram o corpo incompleto com proezas laureadas nos estádios ou hiperbolizaram o que resta, marcando-o com cifras e sinais irreparáveis, como se reivindicassem o domínio total do que ficou, mas não creio que consigam sublimar, metamorfosear ou reinventar o que na alma não admite próteses.
São agora trágicos guerreiros em batalhas com derrota anunciada.