Grande parte do poder de sedução, das ciladas que uma mulher ergue em redor da vítima, do irreversível precipício no seu corpo, não está na importância - coisa pouca -, mas exactamente na pouca importância que atribui às coisas.
Um zoólogo que por aqui passou e que deixou tenazes e animalescas recordações falou-me - não sei se me mentiu, mas se o fez foi por causa forte - no erro genético que produziu as panteras de cor negra.
Não são de modo nenhum uniformes, da cor da noite por inteiro, e as manchas, essas mais negras ainda do que resto, são visíveis nos seus corpos maleáveis e esguios, se lhe dedicarmos atenção e lhe respeitarmos o perigo.
A genética apagou-lhes erradamente a cor ocre fez do animal um dos mais perigosos do reino.
Suspeito que a mesma genética que apagou o ouro, tende a dissolver nas mulheres fatais a capacidade de atribuir demasiada importância aos que a desejam ou àquilo que querem caçar, transformando-as em gatinhas mornas e preguiçosas, que aguardam que a presa fique ao alcance das garras e que esperam que seja impossível deixar de acariciar.
E como gatas dão pouca importância à brevidade das coisas.
E como gatas dão pouca importância à brevidade das coisas.
