14.11.24

A Gaffe gregária


Às vezes lamento a solidão.

Na essência de qualquer vida subjaz o desejo de partilha, de contraponto ou de contraditório.
Raros são os que vivem indiferentes à possibilidade de repartir com outros até o que é escrito depois de pensado.
Somos bichinhos gregários e, mesmo através de um teclado, ousamos querer dividir, somar, multiplicar, deixando a subtracção como manobra escusada.
Às vezes sinto que o pó das asas que não tenho se pode expandir e voltear, criando o amontoado de palavras frágeis e tontas que - iguais a todas as que já foram ditas e apesar disso -, atapetam de insignificantes, minúsculas e efémeras cores os segundos que de vez em quando olhamos distraídos.

Às vezes esqueço-me de que duro um dia.