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| selfie em NY, 1920 |
Preocupamo-nos demasiado em parecermos invulgares, originais, únicos, diferentes. Somos levados pelo desejo de nos mostrarmos peça rara capaz de figurar no museu das emoções alheias. Arriscamos mesmo o ridículo se tal for necessário.
No entanto, os nossos mais pequenos gestos, aqueles que fazemos com a maior das naturalidades, aqueles que se tornam automáticos, os banais e corriqueiros, revelam a nossa pertença à imensa maioria dos vulgares.
O nosso polegar direito fica mais próximo de nós quando entrançamos os dedos; a nossa perna esquerda fica por cima quando cruzamos as pernas; a palma da nossa mão esquerda fica virada para cima quando aplaudimos; a nossa mão esquerda fica debaixo do cotovelo direito quando cruzamos os braços.
Somos banais, inevitavelmente. Mesmo coroados. Se sentados num trono nos pavoneamos, seria sensato pensarmos na pouquíssima importância que Deus atribui às coroas e aos reinos, tendo em conta a gente a quem Ele os entrega.
