Gostava tanto!
Durante a minha vida toda aproximei-me daqueles a quem bastava o amor para se entregarem e como se fossem lagos, nas vidas que se cruzam com a minha, mergulho as mãos dos olhos.
Então a minha vida deixou-se aquietar, mas na quietude arde-me o teu olhar de ver a vida, afogueando os ninhos dos meus braços, deixando os outros a morar em mim, que me inquieto se não acreditar ter à minha volta, à espera, os teus abraços.
Tenho restos de velas e de lenços e de capas e de mantos e de trapos que roubei, rompi e que não sei vestir, que não são meus. Sou carteirista, ladra, vadia e vagabunda de almas. Também sou peregrina dentro delas.
Pensava não ter gente. Pensava só ter olhos.
Nunca me senti capaz ou merecedora de recolher nos braços a impossível claridade de me sentir amada sem motivo ou corpo.
Então a minha vida deixou-se aquietar, mas na quietude arde-me o teu olhar de ver a vida, afogueando os ninhos dos meus braços, deixando os outros a morar em mim, que me inquieto se não acreditar ter à minha volta, à espera, os teus abraços.
Tenho restos de velas e de lenços e de capas e de mantos e de trapos que roubei, rompi e que não sei vestir, que não são meus. Sou carteirista, ladra, vadia e vagabunda de almas. Também sou peregrina dentro delas.
Pensava não ter gente. Pensava só ter olhos.
Nunca me senti capaz ou merecedora de recolher nos braços a impossível claridade de me sentir amada sem motivo ou corpo.
Hoje vou procurar por todo o lado uma palavra que não sei sequer pronunciar por dentro. Queria-a amarrada a mim, para ta entregar comigo atada, e ao descer em mim, que não a vejo fora, encontro-te inteiro num abraço.
Gostava tanto!
Descubro assombrada que te quero sempre aqui, assim, em mim, cá dentro.
Se eu chorar agora é de mansinho por descobrir que tenho os braços habitados por ti e que se a vida me deu olhos foi só para te olhar o coração.
