16.5.23

Agaffe numa despedida

Bruno V. Roels
Encostou o punho esquerdo fechado ao peito, com a palma da outra mão a pr
otegê-lo, e inclinou a cabeça levemente. Depois, e quase a medo, baixou o punho resguardado e desfez o laço. Vi-o afastar-se e repetir o gesto quando do vidro eu sabia que o deixaria de ver logo a seguir.
Depois o meu japonês partiu.
Soube - a minha irmã informa de sobrancelha erguida -, que a delicada elegância do oriental gesto que foi feito, tem um poema dentro:

Em vez do coração, leva apenas no peito o que lhe dei. O coração fica comigo.